A política externa de Geisel

Em 1974, o general-presidente Ernesto Geisel assume a presidência do Brasil. Seu governo estende-se até o ano de 1979, e é abalado pelos dois choques do petróleo. Também é implementado, nesta fase, um retorno mais contundente da Política Externa Independente (PEI), radicalmente interrompida durante o governo de Castelo Branco, em 1964, quando o chanceler do país era Vasco Leitão da Cunha. Durante a gestão Geisel, o chanceler de então, Azeredo da Silveira, comanda a política externa nacional. O retorno da PEI é renomeada nesta época para “pragmatismo responsável”,  definida por afastamento dos EUA, fim das divergências trilaterais na região da Bacia do Prata (Brasil, Argentina e Paraguai), maior aproximação com a África (destaca-se a visita do chanceler pelo continente), em especial no caso angolano, além de reatamento do relacionamento diplomático com o governo da República Popular da China, em 1974.

Na área econômica, a equipe governamental logrou manter as taxas de crescimento do PIB à “níveis chineses”. Após políticas ortodoxas contracionistas implementadas pela gestão Castelo Branco (1964-1967), Costa e Silva, e posteriormente, Geisel, tiveram a oportunidade fiscal e monetária de crescimento econômico astronômico. Nesta época, o crescimento industrial avança ainda mais rápido que o PIB, o que colabora para que as manufaturas tenham maior participação nas exportações brasileiras na década de 1970. Porém, após o choque do petróleo de 1973, comandado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), o valor do barril salta de US$ 3 para US$ 12. A quadruplicação do valor da matéria-prima gera um problema na balança comercial brasileira, já que o país era um ávido importador do petróleo (o que mantém-se nos dias de hoje, só que, hodiernamente, exportamos petróleo cru, e importamos refinado). A balança comercial entra em déficit durante o governo, e as taxas de juros sobem exponencialmente no mercado internacional, o que prejudica a situação fiscal do país. A dívida externa também explode na mesma época, alçando a casa dos bilhões de dólares.

No campo da geopolítica sul-americana, o Brasil termina, por fim, antigos problemas relacionados à navegação e barragem de rios da Bacia do Prata. Na época, o regime militar argentino (1976-1983), sob a liderança do general Videla, resolve com o Brasil problemas de natureza técnica sobre a Questão de Itaipu, e uma usina hidrelétrica que viria a ser construída em território argentino. Na mesma época, o governo de Stroessner, no Paraguai, resolve também empecilhos diplomáticos referentes ao relacionamento trilateral (com os brasileiros e argentinos). Também há o fortalecimento da relação bilateral entre Brasil e Venezuela.

Sobre a geopolítica mundial, o Brasil posiciona-se de maneira mais independente em relação aos Estados Unidos. Geisel faz com que o Brasil retire-se de um acordo militar com os EUA que provinha da época do 2º governo Vargas (1951-1954). Ernesto Geisel também não simpatiza com uma parceria mais singela com os estadunidenses, o que faz com que a relação se estremeça ainda mais. Nota-se que o presidente Nixon, e seu assessor de segurança nacional, Henry Kissinger, estavam de saída da Casa Branca, após a crise de Watergate, e o presidente Richard Nixon pede a renúncia em 1974. Importante recordar que ambos eram incentivadores de uma maior parceria Brasil-EUA, a ponto de Nixon declarar que ele era o presidente mais pró-Brasil que já esteve na liderança do executivo de seu país. O também republicano Lyndon Jhonson assume, e mantém postura semelhante aos brasileiros, até preservando o Kissinger na estrutura do executivo, agora como Secretário de Estado. Porém, na 2º metade da década, a eleição do democrata Jimmy Carter faz com que o enfraquecimento da relação bilateral provenha de ambos os governos. Portanto, a partir de Carter, nem Jimmy Carter nem Geisel seriam favoráveis a uma reaproximação entre os países.

Ainda em geopolítica mundial, o relacionamento Brasil-África é fortalecido sob a gestão Geisel. O fato de, pela primeira vez, um chanceler brasileiro visitar o continente, e passar mais de um mês por território africano, fez com que o relacionamento seja ainda mais intenso. Azeredo da Silveira também foi responsável por apoiar, junto com o diplomata Ítalo Zappa, o reconhecimento do governo do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), de orientação marxista. O Brasil foi o primeiro país a reconhecê-los como governo legítimo da agora, Angola independente. Da mesma época é datada a abertura de novas unidades de representação diplomática brasileira na África. Sobre o Oriente, o Brasil reconheceu o governo comunista, liderado por Mao Zedong (1949-1976). O passo é importante, porém, vêm com certo atraso. Já havia países na América Latina e Europa que mantinham relações diplomáticas com a China continental desde a década de 1950. Os EUA viriam a reconhecê-la no início da década de 1970, incluindo duas visitas de Richard Nixon no país, sendo a primeira ocorrida em fevereiro de 1972.

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