Eu te amo, eu te amo (1968)

Em 1968 estreou Eu te amo, eu te amo (Je t’aime, je t’aime) um dos filmes menos conhecidos do diretor Alain Resnais, já consagrado por Hiroshima Meu Amor e O Ano passado em Marieband. O filme conta a história de Claude Ridder que é mostrado como uma cobaia perfeita para um experimento do governo, uma pessoa sem perspectiva de futuro e sem nada que o prenda ao presente, um suicida frustrado no ato. A experiência se resume em voltar ao passado a exatamente um ano atrás de sua vida durante um minuto. No meio do experimento os cientistas o perdem em meio ao seu passado, e a partir dai o protagonista vai pular de memoria em memoria sem nenhuma ordem cronológica.

O cineasta Alain Resnais, usa como pretexto a ficção cientifica numa história de viagem no tempo para poder explorar o uso da memoria, e sua inconstância em momentos fragmentados e incertos. No inicio das lembranças do protagonista, é mostrada exaustivamente a cena dele saindo da água e falando com uma mulher, a partir disso Resnais começa a moldar o tempo do filme. A mulher do inicio é sua amante Catrine, e todas as cenas das suas memorias estão ligadas ao relacionamento dos dois. A construção da historia vai mostrar de forma desconexa a relação amorosa entre Claude e Catrine.

A montagem perfeita e rítmica de Resnais dá sentido as cenas desconexas do filme, aos poucos a historia vai se moldando e ganhando a carga dramática de um relacionamento amoroso cheio de momentos felizes, mas também com suas turbulências. Claude tem amantes, mas ama Catrine, que tem como sua principal característica a sua tristeza. Embora se amem, o relacionamento deles é marcado pela dependência que um tem sobre o outro, e a impossibilidade de viverem separados ou juntos.

No desenrolar da história o protagonista dá a entender que matou Catrine, em paralelo a construção romântica do casal é criada uma linha de suspense envolta ao que aconteceu. Enquanto isso a máquina do tempo continua a transitar em suas desventuras, obrigando-o a ver seu passado transbordar  diante do seus olhos, e ao mesmo tempo escorrer pelo seus dedos sem poder fazer nada. Entre as idas e vindas do protagonista ao presente, vemos ele na cápsula em que viajou no tempo, agonizando e clamando pelo nome de Catrine.  a transitar em

As lembranças começam a ter objetividade no ato final, a estrutura do mosaico de memórias realizada desde do inicio no filme chega a seu fim. Com isso também o suspense por trás da morte de Catrine, e o motivo pela decadência de Claude, que se torna um suicida diante da impossibilidade de ver o seu amor de novo. Alain Resnais cria um uma história de romance organizada em um mosaico de memórias sufocantes, deixando seu personagem principal à mercê do seu passado, e sendo obrigado a rever seus erros que o fizeram perder seu grande amor sem poder fazer nada.

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