Obesidade informacional e confiança no diálogo

Não é de hoje que a confiança do brasileiro na hora de dialogar política, ou quaisquer outros temas que regem o bom andamento do Brasil, está aumentando. Em compensação, a informação processada, aquela que é adquirida pela pessoa, que é posta em prática durante uma conversa, está diminuindo. Como ideias tão antagônicas podem se desenvolver sincronicamente? Façamos uma análise, e saibamos que há algo errado na forma de processamento informacional no Brasil.

Uma pesquisa recente, divulgada em abril de 2015, diz que mais de 70% dos brasileiros informam-se pelo facebook, o maior índice global, contradizendo os passos dos países desenvolvidos, como o líder Japão com o menor índice mundial, com apenas 10% da população. E o que bem isso nos revela? O problema é que usualmente, nós brasileiros não nos informamos coisa alguma. Nós lemos o título da notícia, isentando-nos de lermos a notícia na íntegra.  Esse costume de ler por partes, ou apenas o título como a maioria o faz, demonstra a diacronia entre um leitor completo, e um leitor meia-boca.

Com a popularização da internet, tínhamos uma população nunca antes adaptada à leitura, contrastando com a falsa impressão de ler moderna. E este é o maior problema dos diálogos nas terras tupiniquins. Agora os habitantes dessa nação, lendo apenas títulos, ou notícias não muito verídicas, como correntes no WhatsApp, sentem-se extremamente confiantes, mas quando essa suposta informação é posta em prática, a tolice dessas pessoas é revelada. Como já dizia o logosófico Gonzalez Pecotche, em seu livro Bases para sua Conduta, se falar algo sem confiança, tenderás a inventar fatos, e sua reputação cairá por terra. E levantá-la será muito difícil.

Apesar de extremamente jovem, eu já estive nos dois lados da moeda. Há dois anos, eu tinha o costume de ler alguns sites jornalísticos brasileiros e internacionais, lendo-os todos na íntegra e forçando-me a pensar. Digamos que eu lia 5 ou 6 notícias por dia. Tive eu um tempo de preguiça, e quem diria? Comecei a passar de 5 notícias por dia, para 20 ou 30. Eu “lera” tão mais, sentia-me mais esperto, contudo, a minha argumentação, o meu pensar, diminuíra drasticamente. Eu não discutia como um sábio, eu discutia como um tolo, e a agonia da ignorância fez-me mudar. Apesar de ter um tempo lendo apenas títulos, eu pude concluir algo interessante. O leitor-título sofre de obesidade cerebral, pois tem informação em excesso, e não há meios disponíveis para dissolvê-la. E este meio é único: raciocinar, pensar e compreender o texto, artigo, livro, notícia ou postulado lido.

Anúncios

Opina, comente! Seja livre para dar sua opinião nesta postagem de A Alma Política

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: